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Cabruêra Cabruêra Cabruêra
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Termo do cangaço, que significa bando de cabras tal qual o bando de Lampião, tendo como fundamento o próprio animal cabra e sua capacidade extraordinária de adaptação e resistência às intempéries de áridas situações. A cabra é um animal que resiste à seca por sua capacidade de devorar tudo o que vem pela frente. Semelhantemente, a Cabruêra também devora as mais diversas informações musicais, digerindo-as e vomitando-as de forma energética, emoldurando-as com recursos tecnológicos. Essa capacidade cultural vem dos nossos ancestrais nativos de nossa Pindorama, que acreditavam no ritual antropofágico, tornando-se mais fortes ao devorar a carne de um valente guerreiro. O tempo passou, mas nossa capacidade de devorar não sai do nosso " cotidiário" 'me interessa o que não é meu. Lei do homem e do antropófago'*. A Cabruêra rompe com o estigma da pobreza, oferecendo música de qualidade, tendo como pano de fundo uma tradição de aparente conformismo, mas sua postura revela resistência.
por Pai Véio
* Manifesto Antropofágico - Oswald de Andrade

X-CABRA - WHO IS WHO @ CABRUÊRA

Arthur Pessoa (voz, acordeon, violão esferográfico e percussão)
Nasceu em Campina Grande, PB em 1976. Filho de pernambucanos, seu pai é sociólogo, percussionista e trabalhou por vários anos como ator e diretor de teatro. Em 1996 ingressou na UFPB onde cursou até o 7º período de Antropologia Cultural. Três anos depois abandonou o curso e formou a Cabruêra.

Zé Guilherme(voz e percussão)
Nascido em João Pessoa, PB em 1963, do signo de Áries. Concluiu licenciatura em Educação Artística com habilitação em Música e foi aluno de percussão e sociologia. Trabalhou em projetos envolvendo crianças de rua e lecionou no curso de Artes da UFPB. É percussionista da Orquestra Sinfônica da Paraíba há 14 anos e membro da SGI (organização leiga de Budismo) há 16 anos

Tom Rocha(percussão e vocais)
Nascido em Olinda, PE em 1977. Fez curso técnico em Administração e trabalhou nos Correios. Foi percussionista do Maracatu Nação Pernambuco chegando a se apresentar com o grupo no New Orleans Jazz Fest em 2000. Participa da faixa 'World' no disco do pernambucano Fênix e também tocou na Banda Cidade Central em Recife.

Fredi Guimarães(violão, percussão e vocais)
Nascido em João Pessoa, PB em 1974. Tocou bateria em vários projetos na cidade de Patos, PB, onde mora desde os 3 anos. Em 1994 foi para Campina Grande onde cursou, sem concluir, Matemática na UFPB e começou a estudar violão no Departamento de Artes, participando também de grupo folclóricos e de chorinho. Em 1998 deu início ao projeto Cabruêra.

Fabiano Soares(baixo e vocais)
Músico profissional desde 1991, onde tocou com a orquestra Casa Blanca no estado do Rio de Janeiro. Participou da banda Cowboys (Country e Blues). Depois integrou a "Banda do Zé Godá" em Visconde de Mauá. Tocou em várias bandas de SP como Meio da Mata e Geridum e antes da Cabruêra tocava na "Baião de Doido" de Barra Mansa no RJ.


CABRUÊRA
por Bráulio Tavares
Os cabras da Cabruêra chegam eletrificando cocos, envenenando cirandas, sampleando repentes e o que mais se apresentar. Todos tiveram uma história roqueira em seu passado: mesmo que o forró, o coco, a embolada e a cantoria de viola estivessem presentes em outros momentos de suas vidas, não eram, de início, suas opções musicais.
Uns começaram regueiros, outros roqueiros, outros funkeiros, mas acabaram derivando para a sua própria mistura.
No show da Cabruêra que vi em Campina Grande, havia um efeito que para mim era tipicamente nordestino. O guitarrista usa uma caneta Bic como arco para tirar do violão um zumbido de violoncelo que engoliu um besouro. Existe a presença do som de bordão rangente e contínuo, aquele podém-podém das violas dos repentistas e seu parentesco distante com o realejo dos vendedores ambulantes, com a sonoridade das gaitas-de-fole escocesas, ou com aquelas caixinhas da música do Oriente Médio onde o sujeito gira uma manivelazinha. Arábia, depois Ibéria, depois Capibaribe, depois Paraíba. O som nos traz de volta ao terreiro onde dançam as rabecas de Siba e Antônio Nóbrega.
Vale lembrar que "um som é um som, todo som é música", sendo possível tirar um som de qualquer coisa desde que se seja músico. Sorte da Cabruêra que pode se dar o luxo de beber em várias fontes sem remorso nem receio: feliz de uma geração que pôde conhecer ao mesmo tempo Luiz Gonzaga e Bob Marley, Chico Buarque e Biliu de Campina, música pop e João Cabral de Melo Neto.
"O fole roncou lá no alto da Serra..." E viva a rapaziada!!

Por onde passam deixam as platéias eletrizadas com a energia de sua música e suas fortes performances cênicas, sua linguagem é universal e atemporal. Musicalmente são ousados e irreverentes. Seu show é uma mistura de forró com Pink Floyd, coco com Hermeto Paschoal, ciranda com Funk, maracatú com Frank Zappa, embolada com rock, trata-se de um verdadeiro caldeirão de ritmos e culturas musicais sem perder suas raízes; um encontro em que o atual e o primitivo se unem, uma verdadeira alquimia sonora, conseguindo uma sonoridade moderna com a união da voz, acordeon, baixo, craviola, pífano, violão, e percussão. Todos eles cantam formando um vocal harmonioso.

MÚSICA E CINEMA
Cabruêra ganha "Kikito de Ouro" no 29º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino. O grupo ganhou o prêmio Melhor Música pelo Júri Oficial com "Ciência Nordestina" de Alessandro Maia (interpretada pelo coral Voz Ativa) e adaptação do tema por Orlando Freitas para o curta "A Canga" do cineasta paraibano Vilar que levou também o Kikito na categoria Curta-Metragem pelo Júri Popular em 35 mm.

SONS DA TERRA SONS DA TERRA
Cabruêra integra coletânea alemã gravada "ao vivo" em Berlim em benéficio a crianças de rua de todo o planeta. O álbum foi gravado durante o festival Heimatklange (Sons da Terra) realizado na capital alemã. A Cabruêra tocou por 5 dias e participa com duas faixas ao vivo: 'Forró Esferográfico' e 'Evolução'. Integram também o disco nomes como Cidade Negra, Velha Guarda da Mangueira, Elba Ramalho, Funk'n Lata e Pinduca. "Neo- hippes que buscam o pós-punk, a embolada que se transforma em hard- core. A Cabruêra não toca instrumentos, mas, invoca demônios". Partículas sonoras rebeldes que o vento faz passar sobre o planeta.
Uma sintaxe dinamitada, cujo estilhaços se abafam nas poças de chuva que envolvem uma Cidade industrial. Com uma troca de golpes coletiva, a Cabruêra ensaia uma revolta da província contra a metrópole.
Jornal Der Tagesspiegel (Berlim) - 21/07/2000.

Cabruêra álbum Cabruêra
12 faixas

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01  Loa de Chegança   (Zé Guilherme)        
Forró Esferográfico 02  Forró Esferográfico   (Arthur Pessoa)        
03  Cangaço   (Cabruêra)        
04  Muganzé   (Zé Guilherme, Arthur Pessoa)        
05  Ciência Nordestina   (Alessandro Maia)        
06  Música Nova   (Fredi Guimarães)        
07  Galopeando   (Fredi Guimarães, Efrem Guimarães)        
Parapoderembolar 08  Parapoderembolar   (Fredi Guimarães, Arthur Pessoa)        
09  Certo Sertão   (Fredi Guimarães)        
10  Bagacera   (Fredi Guimarães, Orlando Freitas)        
11  Pontal   (Alessandro Maia, Arthur Pessoa)        
12  Nada para o Pedro   (Zé Guilherme, Arthur Pessoa)