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Rubinho e Força Bruta - por Júlio Moura
Rubinho Jacobina reúne músicas próprias
em seu primeiro CD, com canções como “Artista
é o caralho”, aclamada no circuito musical carioca.
Rubinho Jacobina é uma das apostas mais certeiras da nova
geração de compositores cariocas. Depois de percorrer
o circuito do Cep 20 Mil e integrar os bailes da Orquestra Imperial,
além das rodas do grupo Anjos da Lua, o cantor e compositor
mostra finalmente, - via Nikita Music - o melhor de sua verve, fadada
a tornar-se privilégio de muitos.
Em seu primeiro CD, Rubinho e Força Bruta, o cantor e compositor
assina a autoria de todas as faixas, muitas das quais podem ser
inevitavelmente consideradas hits em potencial. “Artista é
o caralho” já há algum tempo faz parte do embalo
da rapaziada que freqüenta os shows da Orquestra Imperial,
da qual Rubinho é um dos integrantes. Em tempo de celebridades
fabricadas, o libelo anti-pose de Rubinho revela um poeta “duca”:
Eu sou bom de cama/ sei fazer café/ e ninguém reclama
do meu cafuné/ mas artista é o caralho.
Melodias diretas, letras espertas, harmonias inquietas, sonoridade
crua e irresistível. No liquidificador de Jacobina, fatias
generosas de Tropicalismo, samba, rock’n’roll, jovem
guarda e som black brasileiro, que resultam numa saborosa vitamina
sonora. É o caso de “Domina”, “Era”,
“Tudo de bom”, “Vida tarde”, “Hora
de cuidar”, “Doutor Sabe Tudo”, entre outras candidatas
a sucessos permanentes que vão além das efemeridades
de um único verão.
Criado no bucólico bairro de Santa Teresa, filho do cineasta
baiano Fernando Cony Campos e irmão do violonista Nelson
Jacobina, Rubinho cresceu, nas palavras do oráculo Jorge
Mautner, cercado de “arte e liberdade por todos os lados”.
Freqüentou os espaços musicais mais sagazes da cidade
- de Santa Teresa à Lapa, da Gávea ao Humaitá
-; percorreu o circuito do Cep 20 Mil, evento comandado pelo poeta
Chacal nos anos 90; juntou instrumento e composições
próprias aos bailes da Orquestra Imperial; e assumiu a porção
sambista, emprestando seu violão ao grupo Anjos da Lua, que
comanda as rodas no Clube dos Democráticos, na Lapa carioca.
Na trip de Rubinho, embarcam Pedro Sá (baixo), Bartholo (guitarra),
Domenico (bateria), que formam a banda Força Bruta, eventualmente
acrescida das participações de Nelson Jacobina, Lucas
Santanna, Bubu (guitarra), Moreno Veloso, Lan Lan e Sandrinho (percussões).
Pode chegar nesse vai vem, que Rubinho Jacobina é manjar
de fera.
Rubinho e Força Bruta - por Jorge Mautner
Rubinho Jacobina é irmão de Nelson Jacobina que entre
outras coisas é autor de “Maracatu Atômico”.
Eu vi Rubinho nascer, e aos 4, aos 7, aos 8, e aos 12 anos, e, daí
por diante, sempre eu o via e conversávamos sobre todos os
assuntos. Filho do genial cineasta Fernando Coni Campos, Rubinho
nasceu e foi educado cercado de artes e liberdades por todos os
lados. Eram dias e noites de cantoria, violão, bandolim,
cavaquinho. Discussões e filosofias dia e noite. E ele, já
desde muito pequeno participava e depois de ouvir atentamente o
que se falava, dava a sua opinião e interpretava tudo sempre
de maneira espantosa e original. E sempre tudo coroado por uma atmosfera
de humor carioca antropofágico universal. Eram conversas
de Noel Rosa a Aristóteles, Guimaraens Rosa a Pixinguinha,
folclore a Villa Lobos, jazz e rock n roll a Oswald de Andrade,
dias e noites sem fim.
Agora em 2005, Rubinho lança seu primeiro CD “Rubinho
e Fôrça Bruta”. Este disco para mim é
como uma aparição, onde o espanto caminha lado a lado
com a maravilha,. Mostra o incrível talento de um super comunicativo
cantor-intérprete-compositor-poeta-instrumentista que, com
suas músicas, provoca ondas de todos os tipos. Onde as dissonâncias
se harmonizam de modo sem igual: o humor e a tragédia sempre
juntos. Esta duplicidade de espaços paralelos se repete em
cada música de modo diversificado e originalmente instigante
em direção ao mais oculto mistério e às
mais distantes paisagens através de sua intensa “fôrça
bruta” e força doce de comunicação e
empatia. Ele consegue ser hipnotizador e envolvente e, ao mesmo
tempo, afastado e cético. Consegue ser super-irônico
e até debochado porém sempre com elegância e,
ao mesmo tempo, emocional e romântico. Sua inspiração
tem todas as origens, sua interpretação tem todas
as vibrações, suas novidades são apresentadas
de maneira sutil. Em cada sonoridade parece ecoar uma outra lá
atrás e mais atrás e assim por diante. Ao mesmo tempo
surge um vendaval de sons e emoções carregadas por
ventanias quentes e geladas em direções subitamente
opostas. E instala-se a vertigem, dos profundos significados emocionais
e misteriosos das paixões humanas. Ismael Silva, Lamartine
Babo, jazz, funk, pop, serestas, dissonâncias alemãs,
batuques de terreiro, canções de roda, batuques de
maracatu, hip hop, Ataulfo Alves, Umbanda, Beatles, tropicalismo,
bossa nova, música caipira, sertaneja, axé, tudo reinterpretado
e recriado num CD que é uma verdadeira sinfonia do novo mundo,
uma alegria de vitória de campeonato mundial.
Fazem parte desta conspiração musical amigos e contemporâneos
de Rubinho ,os componentes da Força Bruta que são:
Pedro Sá no baixo, Bartolo na guitarra, Domenico Lancelloti
na bateria, e com as participações especiais de: Bubú,
Marcelinho, Lanlan, Sandrinho, Moreno Veloso e Nelson Jacobina.
Músicos que são infernais e celestiais e são
“além-músicos”. É o absurdo e a
realidade, o café com leite, o fim e o infinito,o Yin e o
Yang em tom de antropofagia musical do século XXI que vem
gargalhando e zorrando dizendo: “Artista é o caralho....”